quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Crônica - Espírito Olímpico


Kate Walsh, capitã da equipe de hóquei da Grã-Bretanha, é a personificação do Espírito Olímpico. Seu rosto foi atingido acidentalmente por um taco de uma adversária na partida em que as britânicas venceram as japonesas por 4 a 0. Resultado: fratura da mandíbula. Pra quem não entende, esse é o osso que sustenta os dentes inferiores. Aquele que você usa para abrir e fecha a boca. Pois Kate foi levada ao hospital para realizar uma cirurgia estabilizadora do osso fraturado e quer voltar aos Jogos.

Tem muito jogador por aí que faz corpo mole, pede pra não jogar uma partida porque está com um "desconforto" no músculo adutor da coxa. A mulher vai jogar com a mandíbula fraturada! Isso é vontade de representar seu país. Isso é Espírito Olímpico.

Outro modo de expressão desse espírito é competir mesmo que seu corpo diga: Pare! Isso aconteceu hoje com a judoca húngara Abigel Joo, que machucou seu joelho na luta em que foi derrotada nas quartas-de-finas da categoria abaixo dos 78 kg. Restou a disputa do bronze. Ela desistiu? Que nada! Foi para a repescagem e lutou mancando contra a polonesa Daria Pogorzelec. Estava perdendo, mas no final aplicou um Ippon e foi disputar a medalha de bronze contra a francesa Audrey Tcheumeo. Abigel perdeu a luta, mas não o espírito. Mais uma imagem marcante de uma olimpíada.

Para mim a maior imagem de todas é a da suíça Gabrielle Andersen, nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984. Era a primeira prova da maratona feminina na história dos Jogos e Gabrielle, de 39 anos, chegou 20 minutos depois da vencedora, a norte-americana Joan Benoit, na 34ª colocação. A suíça entrou no Estádio Olímpico desidratada, cambaleante e com cãibra na perna esquerda. Demorou cerca de 10 minutos para completar os últimos 200 metros da prova. Ultrapassou a linha de chegada ovacionada pelo público e praticamente desmaiou nos braços dos médicos. Ela persistiu em terminar porque era a última oportunidade de disputar uma Olimpíada por causa de sua idade. Poucos se lembram da medalhista de ouro, mas de Gabrielle Andersen sim. É um grande exemplo de perseverança, superação de limites e Espírito Olímpico.


A EMOCIONANTE CHEGADA DE GABRIELLE ANDERSEN

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